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Esse é um tema controverso mesmo entre os teóricos da área. Como sempre e felizmente, para o bem da ciência, as discussões giram em torno de dois pólos opostos: há quem diga que as NTIC's existem para levar informação em grande quantidade e de qualidade para todas as pessoas e em todos os locais, sendo responsáveis pela disseminação de informação, cultura e educação a pessoas que não tinham acesso a esses conteúdos antes, contribuindo, dessa forma, para a formação das pessoas. Para essa corrente, as NTIC's representam uma revolução na forma como se faz educação e se transmite informação. Certamente, há uma parcela de verdade nesse discurso, não podemos negar. As telecomunicações aliadas à informática podem transmitir grande quantidade de dados a longas distâncias e muito rapidamente. Hoje elas são o principal meio de comunicação e transferência de informações para muita gente. Mas também não podemos deixar de observar que a enorme quantidade de informação disponível online nem sempre é de qualidade. Muito do que se publica não é confiável ou é completamente descartável. Aí já entramos no raciocínio da corrente que se posiciona de maneira menos entusiasta. Eles batem de frente com o argumento do "informação para todos e em todos os locais". De fato, na teoria isso figura muito bem, soa até bonito, mas só é possível quando se leva somente as tecnologias em consideração. Elas dão subsídios para se faça isso, mas além da possibiblidade técnica, há os problemas de ordem econômica, social, política e ideológica até. Estamos longe de conseguir levar informação a todos, porque as tecnologias não estão presentes em todos os paízes na mesma medida. Há variações de acesso a computadores de estado para estado, dentro do mesmo país, para se ter uma ideia. Há paízes em que a censura não permite acesso livre às páginas web, logo, a informação não flui para lá, como é o caso da China. Para quem pensa como os defensores dessa corrente, essa era tecnológica em que vivemos não se caracteriza como uma revolução. Outras como essa já vieram, como aconteceu com o rádio, o telefone, a televisão, os celulares, os GPS's, os notebooks, etc. Onde o advento da tecnologia apresenta um mundo de possibilidades mas deixa de fora uma gigantesca parcela da população, que não vive essa "revolução", que não a conhece e da qual dificilmente tomará parte. Sim, ainda há pessoas que não podem possuir um telefone, ou ter uma TV, ou acessar a internet, mesmo que de uma lanhouse!! Talvez aqueles da primeira linha de pensamento sejam de nações muito ricas, onde tudo é maravilhoso e perfeito, totalmente desconhecedores de uma realidade de desigualdade econômica e social gritante como é o nosso caso no Brasil. A globalização econômica de que tanto se fala, nunca será realmente globalizante, pois inevitavelmente, deixara milhões de pessoas de fora. Quem sabe, um dia, se houvesse uma real globalização tecnológica, aí sim, fosse viável imaginar um mundo globalizado economicamente.