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Naturalmente, existem outros formatos de registros bibliográficos. O MARC é baseado na norma ISBD (Descrição Bibliográfica Internacional Normalizada), mas há serviços de informação que usam como norma o Manual de Referência UNISIST. Assim, é muito difícil unir registros provenientes de diferentes origens em um único arquivo. Com o objetivo de facilitar a comunicação de dados entre setores da área de informação, foi projetado o Formato Comum de Comunicação (FCC) que, assim como o MARC, constitui uma implementação específica da norma ISO 2709. O FCC procura:

  • especificar um pequno número de elementos de dados obrigatórios;
  • proporcionar flexibilidade a esses elementos;
  • proporcionar a inclusão de elementos optativos;
  • permitir à biblioteca a inclusão de dados não padronizados, mas que sejam importantes em seu sistema.

Com a popularização dos computadores e o aumento do número de páginas disponibilizadas na internet, a explosão documental provocada pelo desenvolvimento da escrita e da imprensa tem se agigantado ainda mais, de maneira assustadora até. Cada vez mais pessoas publicam e publicam uma quantidade de informação cada vez maior na web. A própria existência dos blogs, podem exemplificar essa enorme quantidade de texto sendo escrito e jogado na rede. Como é humanamente impossível se fazer uma indexação de todos os textos que circulam por aí na web, a opção é lançar mão da indexação automática. Falamos sobre esse tipo de indexação aqui. Pensando nisso foi que se desenvolveu a ideia de que o próprio autor/usuário/publicador é quem deveria fazer uma descrição do documento e de seu conteúdo ao publicá-lo na net. Esse tipo de descrição seria feito através do Dublin Core, de maneira bastante simples para viabilizar que o próprio autor o fizesse, diferentemente do formato de descrição MARC que, devido a sua complexidade, é definitivamente impraticável ao não especialista. Dessa forma, ao submeter seu texto a uma biblioteca digital, por exemplo, o autor preenche um formulário com dados simples sobre seu arquivo, mencionando, por exemplo, nome do autor, título da obra, extensão do arquivo, tamanho, palavras-chave, etc. Alguns autores, porém, contestam a eficácia do Dublin Core, porque, segundo eles, tal simplicidade na descrição dos dados só pode resultar em perda de informação, pois a recuperação dos documentos não seria feita de modo otimizado, sem ruído.

Não podemos falar em formatos de descrição bibliográfica sem mencionar o CALCO (Catalogação Legível por Computador), projeto baseado no MARC. Na década de 40, teve início no Brasil a adoção de modernas técnicas biblioteconômicas. Várias foram as causas que contribuíram para essa evolução, destacando-se a reforma do curso de Biblioteconomia oferecido pela Biblioteca Nacional, o aperfeiçoamento de técnicos brasileiros em universidades americanas e a criação de um serviço nacional de catalogação cooperativa, único na América Latina. Este último foi criado em 1942 com o nome de Serviço de Intercâmbio de Catalogação (SIC) e tinha como finalidade propiciar ajuda mútua entre as bibliotecas do país a partir do modelo oferecido pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos (Library of Congress).

O SIC funcionava no DASP (Departamento Administrativo do Serviço Público), responsável pela parte técnica de revisão das fichas catalográficas, em convênio com o Departamento de Imprensa Nacional, responsável pela impressão, distribuição e venda das fichas aos interessados. Começou, assim, a ser formada uma Rede de cooperantes entre as bibliotecas interessadas. O SIC cresceu a tal ponto que foi desligado da Biblioteca do DASP e transferido para o IBBD (Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação), atual IBICT (Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia), criado em 1954. Em 1970, com a divulgação das vantagens do Projeto MARC desenvolvido pela Library of Congress, o SIC resolveu reformular os seus serviços partindo para a automação. Assim sendo, este tema foi escolhido pela Prof. Alice Príncipe Barbosa, a diretora do SIC na época, para sua dissertação de mestrado e, mais uma vez, o SIC tomou como modelo a Library of Congress.

O projeto CALCO (Catalogação Legível por Computador) foi, então, desenvolvido pela professora Barbosa em sua dissertação, representando o marco inicial dos processos automatizados de registros bibliográficos no Brasil. Seu objetivo era intercambiar a informação catalogada entre bibliotecas, criando a catalogação cooperativa no país cujos produtos seriam a geração do Catálogo Coletivo Nacional e a Bibliografia Nacional Corrente. O projeto CALCO se responsabilizaria por:

  • elaborar um catálogo que arrolasse a maior parte da produção bibliográfica recente, servindo de instrumento para a pesquisa nos pontos mais distantes do país;
  • obter bibliografias especializadas;
  • permutar informações dentro e fora do país;
  • obter catálogos coletivos especializados;
  • padronizar normas de catalogação e cabeçalhos de assunto;
  • acelerar a duplicação de fichas;
  • economizar tempo e mão-de-obra para as bibliotecas que possuíam as mesmas obras.

O formato CALCO foi inteiramente baseado no formato MARC II da Library of Congress por ser considerado o formato padrão para o intercâmbio de informação bibliográfica. A partir dessa proposta, instituições como a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) desenvolveram sistemas de catalogação baseados no CALCO, introduzindo pequenas modificações para atender às necessidades de cada instituição ou das Redes de catalogação que se formavam. O Serviço de Intercâmbio de Catalogação (SIC) deixou de existir em 1973, depois de 31 anos, para que o Projeto CALCO entrasse em funcionamento. Tinha início uma nova fase da catalogação cooperativa no Brasil. Em 1975, ficou decidido que o formato CALCO seria adotado em nível nacional para o processamento de dados bibliográficos referentes à produção bibliográfica brasileira; esta resolução foi tomada pelo IBBD na reunião de especialistas para implementação do NATIS (Sistemas Nacionais de Informação), projeto da Unesco.

Com o estabelecimento do convênio MEC/CNPq, que estabelecia como um de seus ítens a coordenação geral do projeto CALCO pelo MEC, na figura do CIMEC (Centro de Informática do MEC), pretendia-se estabelecer um método padronizado, inteiramente compatível com o MARC, para atender as necessidades da Biblioteca Nacional subordinada àquele Ministério. Leia mais sobre o CALCO aqui.

Referências:

FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS. Rede Bibliodata: histórico. Disponível em: <http://www8.fgv.br/bibliodata/geral/modelos/historico.htm>. Avesso em: 25 fev. 2009.

MARCONDES, Carlos, H. (Org.) et al. Bibliotecas digitais: saberes e práticas. 2. ed . Salvador: EDUFBA; Brasília: IBICT, 2006.