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Você já parou para pensar de onde veio a expressão "surfe" para designar o ato de acessar a internet? Podemos até imaginar que surfamos na net porque ficamos à deriva, indo de um lado para o outro, para cima e para beixo, muitas vezes meio sem rumo até! Mas quando será que essa expressão foi utilizada pela primeira vez? No livro "Cultura da interface", Steven Johnson nos esclarece quanto a isso. Ele diz que o termo "surfar" sem estar atrelado ao esporte surf e empregado nesse outro contexto do qual falamos, foi utilizado pela primeira vez quando do surgimento do controle remoto nos aparelhos de televisão. Isso mesmo! Antes dos primeiros controles, as pessoas ficavam mais passíveis diante do tal aparelho, a ponto de nem pensar no que estaria sendo exibido nos canais, mas simplesmente, tomavam a decisão: "Vou assistir televisão", e ligavam o aparelho e se sentavam passivamente diante dele. Como era mais trabalhoso trocar de canal, as pessoas quase sempre não tinham entusiasmo de migrar entre os canais nem durante os intervalos comerciais!! Por isso se considerava o espectador passivo. Ele ligava o aparelho, quase que mecanicamente, pois o canal preferido dele já estava selecionado, se sentava no sofá e ficava lá, durante muito tempo assistindo a tudo, ou simplesmente conversando, jantando, lendo um jornal. Ainda hoje há pessoas que simplesmente ligam a TV para se sentirem acompanhadas, nem assistem realmente à programação e ficam com ela ligada enquanto fazem outras coisas. O fato é que o surgimento dos controles remoto deu mais poder de escolha para os nossos sedentários espectadores. Agora você pode mudar de canal toda vez que achar necessário, quando a programação se tornar desinteressante, por exemplo. Sem perder a preguiça, mas agora ela não determina mais que você vai assistir alguma coisa do início ao fim. Foi nessa época que empregaram o termo surfe fora das praias pela primeira vez... para designar o ato de trocar de canal. As pessoas agora poderiam surfar entre as emissoras de TV, realmente escolher se queriam ou não ver determinado conteúdo na televisão. Foi-lhe dado o Poder!! Dentro dessa perspectiva, Steven Johnson acredita que seja injusto aplicar o termo surfar para nomear aquilo que fazemos na internet. Copiar o termo que foi usado lá na época das troca de canais para utilização na web é inaceitável. Por que? Ele explica: simplesmente porque quem surfa pelos canais de TV faz o que faz porque está desisteressado. Já quem segue links na web o faz porque está interessado, quer realmente saber/conhecer o conteúdo da ligação hipertextual. A diferença é exatamente essa. Quem deixa um canal para trás é porque cansou dele. Quem clica num link é porque quer saber pra onde ele leva. A expressão que ele sugere que usemos, quando formos nos referir àquilo que fazemos na internet é "navegar". Eu acho que isso tudo é uma tremenda bobagem. Não interessa que sentido o termo tinha quando foi utilizado pela primeira vez. Hoje não se tem mais isso em mente quando se usa a internet, se é que algum dia alguém usou um desses termos tendo essas questões em mente. Surfando ou navegando, estamos todos caminhando e cantando, trocando de canal ou de site, sem nunca termos percebido que tal expressão poderia ter uma conotação pejorativa (só para o Johnson, mesmo, viu?).