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A Universidade Federal do Ceará (UFC) foi reconhecida internacionalmente como um dos 12 principais centros de desenvolvimento de pesquisas em nanotecnologia da América Latina. Para os pesquisadores cearenses, o resultado foi uma surpresa. Isso porque, apesar do esforço, o investimento na área ainda é muito pequeno no Estado.

Pouca gente sabe sobre a ciência que promete revolucionar o futuro da humanidade. A solução para diversos problemas está em partículas absolutamente minúsculas. Isso acontece quando um material qualquer ganha propriedades que antes não tinha ao adquirir tamanho nanométrico, ou seja, 0,000.000.001 metro. Além de produtos muito práticos que fazem maravilhas, como roupas com protetor solar, a principal promessa da nanotecnologia é na área farmacêutica. Em um futuro muito próximo, cientistas acreditam que as drogas não terão efeito colateral, agindo apenas nas células doentes.
Tudo por causa dela.

Pode parecer que o Ceará está bem distante dessa revolução, mas no início deste ano, a Universidade Federal do Ceará (UFC) foi considerada um dos 12 principais centros de desenvolvimento de pesquisas em nanotecnologia da América Latina. Liderado por Luciano Kay - do Georgia Institute of Tecnology, em Atlanta (EUA) -, e Philip Shapira - da University of Manchester, na Inglaterra -, um estudo mostrou como está o desenvolvimento das pesquisas na área na América Latina. O resultado mostrou que a UFC
está na frente de instituições como a Universidad de Chile e a Universidad Nacional de Córdoba, na Argentina.

As sete primeiras universidades da lista são brasileiras. Apenas a oitava posição ficou uma a Universidad Nacional de La Prata, da Argentina. Entre as instituições nacionais, a UFC ficou em nono lugar, à frente da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “É uma surpresa gigantesca, inclusive pra nós, porque o investimento aqui no Ceará ainda é muito pequeno. Isso se deve principalmente à qualidade dos trabalhos que
desenvolvemos aqui”, ressalta o professor Josué Mendes Filho, coordenador do Departamento de Física da UFC, onde é produzida grande parte das pesquisas na área de nanotecnologia da UFC.

Para se ter uma ideia, em novembro do ano passado, um estudo sobre nanotecnologia da UFC foi publicado em uma das mais importantes revistas americanas. A pesquisa feita por seis professores desenvolveu um nanofio trigonal feito por seis átomos de selênio, que servirá como liberador controlado de selênio no organismo. “As adaptações tecnológicas são enormes. Passamos um ano nessa pesquisa”, ressalta o professor Josué. Agora, o grupo está trabalhando para desenvolver partículas semicondutoras com revestimentos metálicos, que também atuarão na área da Farmácia.

E na prática, como a população será beneficiada com a nanotecnologia? Você pode não saber, mas já usa produtos desenvolvidos nessa área. Um exemplo é a evolução da informática. “As pessoas não compram um computador com nanotecnologia, mas compram um programa (soft) que tem novas funcionalidades por causa dela”, destaca o pesquisador Cauê Ribeiro, da Embrapa Instrumentação Agropecuária. Em 2005, foram vendidos, em todo o mundo, US$ 30 bilhões em produtos que incorporam nanotecnologia, segundo a
empresa de pesquisas Lux Research. Em 2014, o montante deve alcançar US$ 2,6 trilhões, o equivalente a 15% de todos os produtos manufaturados que serão comercializados no mundo.

REFERÊNCIA
GUIMARÃES, Yanna. Nanotecnologia made in Ceará. Jornal O Povo, 14 mar. 2009.