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Vejam como esta matéria é curiosa (para não dizer coisa pior!). Em tempos de plena criação e expansão de bibliotecas digitais, alguém se preocupou em empregar milhões de Reais na reestruturação de uma biblioteca tradicional. Até aí, tudo bem, muito louvável. Totalmente reformada, moderna, high tech, cheirando a nova e esbanjando elegância. Exemplo para muitas outras. Esta matéria trata sobre a nova biblioteca da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), que recentemente passou por uma grande reforma e agora disponibiliza serviços altamente tecnológicos aos seus usuários, sem falar na estrutura física invejável. Sim, estamos falando de uma biblioteca física e não digital, daquelas em que você entra de corpo inteiro e busca livros e outros materias bibliográficos presencialmente! Acho muito importante que uma universidade no Brasil (principalmente!) esteja investindo tanto em tecnologia. Isso prova que as bibliotecas podem e devem utilizar os mais avançados recursos tecnológicos para oferecer cada vez mais recursos para os seus usuários. Só estranhei um detalhe, se é que se pode chamar assim, nessa matéria que foi veiculada pelo Jornal do Comércio (Porto Alegre, Terça-Feira, 19/5/2009). Um detalhe curioso e preocupante. Leia a matéria e procure por esse detalhe. Veja se você o encontra e se concorda com essa minha observação.

Educação: Autonomia do aluno é o diferencial da biblioteca da PUCRS

Vivemos em uma época em que os e-books, ou livros eletrônicos, se tornam cada vez mais populares. Uma época em que a ideia de criação de um grande centro que reúna todo ou grande parte do conhecimento humano existente (o Google Books é um exemplo) ganha força a cada dia que passa e vira assunto de discussões entre renomados teóricos. Contrariando essa lógica, a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) tomou a iniciativa de ousar apostar na sobrevivência do acervo convencional. Com a construção de sua nova biblioteca central Irmão José Otão, inaugurada no dia 7 de novembro do ano passado, a universidade indicou um caminho que pode ser seguido por outras instituições de ensino do País. O novo prédio, com 21 mil metros quadrados e 14 andares, abriga a mais avançada biblioteca, no quesito tecnologia, da América do Sul.
"A construção da biblioteca representa um grande esforço. Um esforço em busca da melhoria da qualidade da universidade. Uma boa biblioteca tem repercussão no ensino, na pesquisa, no aprendizado. Além disso, a construção representou e representa uma grande contribuição para a cultura da cidade de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. O desenvolvimento da ciência deve estar sempre ao serviço do ser humano. E é o que estamos fazendo ao adaptar os progressos da ciência e da tecnologia ao serviço do estudante e do pesquisador", afirma o reitor da PUC-RS Joaquim Clotet.
Quem caminha por entre os corredores do vistoso prédio se impressiona com a beleza das instalações e com a tecnologia de ponta utilizada. As principais novidades são os novos sistemas de autoempréstimo e autodevolução dos livros e periódicos. Foram espalhados terminais autoexplicativos, em que o usuário poderá realizar o empréstimo do livro ou devolvê-lo à biblioteca sem a necessidade do auxílio de um funcionário . Isso é possível graças à colocação de chips nos volumes.
"Os destaques são a grande variedade e riqueza do seu conteúdo e a facilidade de acesso às melhores publicações através da internet. Com certeza não deixa a dever a nenhuma biblioteca de qualquer grande universidade internacional", enfatiza Clotet.
Outra novidade é a instalação de 400 guarda-volumes inteligentes. O aluno ou visitante coloca o material que deseja no local e digita uma senha de segurança ao fechar. Para retirar seus pertences, ele digita novamente o código e a porta se abre. No momento em que a senha é digitada pela segunda vez, o sistema apaga automaticamente a combinação e fica à disposição para um novo usuário. Os armários reforçam a principal característica da biblioteca, que é a de dar independência para o visitante.
"As tecnologias da informação facilitam esta autonomia. O aluno deve ser ator de sua formação. E estes meios facilitam isso", afirma Clotet.

Comunidade tem amplo acesso ao acervo de livros, periódicos e teses

A média em circulação, ou seja, de exemplares de obras que estão emprestados, fica entre 50 mil e 60 mil. O número de pessoas que frequentam diariamente a biblioteca pulou de 1,5 mil para 2,6 mil depois da inauguração do novo prédio. O acervo é dividido em quatro áreas de conhecimento: ciência e tecnologia, linguagem e artes, ciências humanas e sociais aplicadas. Toda a identidade visual do prédio é baseada nas obras do pintor holandês representante do neoplasticismo Piet Mondrian (1872-1944). A área física do interior da biblioteca é toda abrangida por rede de internet sem fio e possui refrigeração por ar central, cinco elevadores e sistema de segurança através de uma central de monitoramento via câmeras de vigilância. As obras para a construção do novo prédio se iniciaram em maio de 2006. O antigo tinha três andares e 10 mil metros quadrados de área. A biblioteca possui um quadro de 110 funcionários, sendo que 22 são bibliotecários. Uma média de 27 mil pessoas circulam pelo local mensalmente para consultar os 418,8 mil livros, os 410,8 mil fascículos de periódicos e os 21,9 mil exemplares de teses e dissertações. Merece destaque também o fato de o espaço não ser de uso exclusivo de alunos, professores e funcionários da universidade. A comunidade tem acesso liberado ao local para atividades de cunho acadêmico, com exceção para a retirada dos livros.
"A biblioteca está aberta às pessoas da comunidade. Com isso, a PUC-RS abre as suas portas e mostra que o melhor que ela faz é servir à comunidade porto-alegrense e gaúcha", diz o reitor.
Outra novidade é o espaço destinado a portadores de deficiência visual com computadores, equipamentos e softwares com sintetizadores de voz, além da coleção de livros audíveis. Todo o prédio é adaptado para portadores de necessidades especiais.

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Percebeu o tal detalhe curioso e preocupante ao qual eu havia me referido? Não? Está tão na cara! Pensa mais um pouquinho...
Em nenhum momento a equipe de bibliotecários ou o diretor da biblioteca, que provavelmente é um bibliotecário, abre a boca para dar um depoimento, só quem se pronuncia é o Reitor da PUCRS. Como é que se concebe uma matéria sobre bibliotecas para ser veiculada em um jornal de grande circulação e nenhum bibliotecário se pronuncia? Será que não há bibliotecários atuando nessa maravilhosa biblioteca? Ou será que eles continuam mergulhados na famigerada e vergonhosa apatia biblioteconômica? Você tem todo o direito de expressar sua opinião. Deixe um comentário logo abaixo!