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Continuando com a série de matérias sobre ABNT (Informação e documentação), seguimos hoje com a norma NBR 10520 que trata da apresentação de citações em documentos.
Usar citações para corroborar/fundamentar algo que você afirma é de fundamental importância em textos acadêmicos. Mas mesmo no dia-a-dia, nós usamos citações embora não percebamos, sabia? Por exemplo, quando você diz a um colega do trabalho, que um determinado procedimento deve ser adotado porque “o chefe disse”. Ou quando você diz a um colega de sala que “o professor falou” coisa tal… Note que, em ambos os casos, você estará usando as falas de outra pessoa para “provar” que você não está mentindo, ou pelo menos, não está enganado. É para isso que a citação serve, para que se saiba que, se você está afirmando alguma coisa com tanta propriedade, é porque alguém mais velho, ou mais experiente, ou mais veterano, ou que tenha conseguido credibilidade por conta de trabalhos ou pesquisas anteriores, etc. já disse isso antes e você está usando a fala dele como se ele fosse uma testemunha em um processo. Ele depõe a seu favor.
Existem maneiras diferentes de se fazer uma citação. Vamos ver aqui todas elas. As citações podem aparecer no texto ou em notas de rodapé. Ambas as formas são corretas e depende do gosto do autor escolher por uma delas. Fazer as citações dentro do próprio texto é muito mais prático que ficar criando notas de rodapé para elas. Até porque essas notas no rodapé exigem o conhecimento de alguns recursos a mais, como veremos mais adiante. Porém, há quem diga que quando se coloca as citações no rodapé, o texto fica mais limpo, sem interrupções. Enfim, cabe ao autor do texto decidir pela melhor forma. Mas há que se observar o seguinte:
Quando se usa o rodapé para as citações, não se pode fazer mais nenhum tipo de nota no rodapé. Nem mesmo as explicativas, quando se detalha, conceitua, explica algum termo ou expressão que apareceu no texto. Nada. Citações no rodapé exigem exclusividade e querem o rodapé só para elas.
Vamos às regras então! Vejamos abaixo a mesma citação feita das diversas formas possíveis. Quando necessário, farei um comentário.
“Apesar das aparências, a desconstrução do logocentrismo não é uma psicanálise da filosofia.” (DERRIDA, 1967, p. 293).

Observe que a citação está entre aspas, significando uma citação direta, ou seja, o texto original foi transcrito conforme consta no documento. Sendo assim, é necessário indicar o número da página de onde o texto foi copiado. Outras formas de se citar o mesmo texto são:
Conforme Derrida (1967, p. 293), “apesar das aparências, a desconstrução do logocentrismo não é uma psicanálise da filosofia.”
ou
“Apesar das aparências, a desconstrução do logocentrismo não é uma psicanálise da filosofia”, segundo Derrida (1967, p. 293).
Veja que não importa a ordem em que a citação aparece, o que vai determinar isso é a estrutura do parágrafo, o estilo de redação do autor. Não deixe de notar que, quando o sobrenome do autor está dentro dos parênteses, ele fica em maiúsculas. Estando fora, fazendo parte da argumentação do parágrafo, fica em minúsculas. As citações diretas dentro do texto, quando tiverem mais de três linhas, devem receber uma formatação própria: espaço simples, fonte menor que a do texto, margam esquerda de 4 cm, sem aspas e sem parágrafo (recuo na primeira linha).
Você também pode fazer uma citação indireta, ou seja, interpretada, dita com suas palavras, o que não torna o discurso seu. O que se deve levar em conta é a ideia original e, ela não sendo sua, embora você a esteja transmitindo com suas palavras, é uma citação. Vejamos como ficaria então a citação:
Conforme Derrida (1967), mesmo que pareça, o desfazimento do logocentrismo não é uma psicanálise de cunho filosófico.
ou
Embora nos seja dada essa impressão, o desfazimento do logocentrismo não é uma psicanálise de cunho filosófico, segundo Derrida (1967).
Note que o texto está escrito de forma diferente, mas o sentido é um só. A ideia original de Derrida foi escrita com outras palavras, mas continua sendo dele. As aspas sumiram, pois o texto não foi transcrito tal e qual e junto com elas, sumiu também o número da página. Muito natural, já que tendo a citação sido interpretada, o autor citante pode ter lido todo um capítulo ou até mesmo a obra completa para tirar uma conclusão é colocá-la numa citação. O pensamento citado pode estar diluído em várias páginas, de forma que não há como indicar uma página exata de onde a coisa ternha sido retirada.
Supressões, interpolações, acréscimos e comentários devem aparecer entre colchetes. Se um trecho grifado de um documento for ser citado por outro, deve ser mantido o destaque e registrado na citação. Ex.:
“[...], a desconstrução do logocentrismo não é uma psicanálise da filosofia”, segundo Derrida (1967, p. 293, grifo do autor).
Se o destaque tipográfico tiver sido colocado na citação pelo citante, para realçar algum aspecto importante no seu trabalho, ele deve registrar na citação conforme abaixo:

“[...], a desconstrução do logocentrismo não é uma psicanálise da filosofia”, segundo Derrida (1967, p. 293, grifo nosso).
Paremos nesse ponto. Em uma futura postagem continuaremos a abordar esse assunto das citações que ainda não está finalizado.
Download da NBR 10520 aqui: http://www.4shared.com/get/17552098/b5ca5956/NBR_10520__ago_2002__-_citacoes__original_.html
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