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O acervo de várias bibliotecas brasileiras em breve estará disponível para consulta em uma única intervace, de modo que milhões de obras, advindas desde bibliotecas escolares até as especializadas estarão ao alcance de seus dedos. Isso se deve ao fato de essas instituições fazerem parte da Rede Pergamum. O Pergamum, sistema automatizado de gerenciamento de acervos criado inicialmente para administrar a biblioteca da Pontifícia Universi­dade Católica do Paraná (PUCPR) e hoje transformado em uma plataforma de consulta a acervos de todo o país, está prestes a dar um grande passo. Atualmente, a base de dados do sistema abrange 2,5 milhões de títulos, distribuídos por 260 instituições. Até o fim do ano, no entanto, o acervo total deve chegar a 10 milhões de obras – o suficiente para transformá-lo no maior do país “com sobra”, ga­­rante o coordenador do projeto, Marcos Rogério de Souza.

Souza pode ser considerado o “pai” do Pergamum. Ele está no projeto desde que este era apenas o esqueleto de um software de gestão para a biblioteca da universidade curitibana (que, na época, já era uma das maiores coleções universitárias do país). Isso foi em 1995, e ele era estu­dan­te de gradução em Ciência da Computação – o Pergamum foi fruto de um trabalho acadêmico. Graças a essa iniciativa, a PUCPR foi a primeira instituição do País a ter, por exemplo, a renovação dos inventários da biblioteca por meio da web. Atualmente, Souza está à frente de uma equipe de 15 pessoas, sendo 3 bibliotecários.

Hoje o sistema Pergamum é negociado com instituições de todo o país e também do exterior – a primeira parceria fora do Brasil foi feita com uma instituição de ensino superior de Angola –, por meio de convênios mantidos pela Associação Paranaense de Cultura, organização mantenedora da PUC. Os desembolsos dos parceiros variam de acordo com o tipo de instituição e com a quantidade de usuários. “Os va­­lores variam de 7 a 70 mil reais. Te­­mos valores especiais para instituições governamentais e para o ensino fundamental e médio”, explica Souza.

No Brasil, os clientes do Per­gamum incluem desde escolas fundamentais até museus e tribunais de Justiça. A lista inclui ainda o Ministério da Fazenda, o Itamarati, a Confederação Na­­cional da Indústria e universidades federais, como a do Ama­zo­nas e do Pará, e até empresas
particulares, como a Souza Cruz.

O banco de dados de cada uma das instituições é atualizado diariamente, durante a madrugada. As instituições clientes enviam a um servidor instalado na PUC as aquisições de seu acervo. O processo é rápido e automatizado, e contribui para tornar muito mais simples o trabalho de ca­­talogar novas obras. “Um processo que demorava uns 20 minutos, manualmente, cai para poucos segundos”, ob­­serva Souza. “É uma facilidade muito grande para o bibliotecário.”

A ênfase do produto, no entanto, é para os usuários. A busca de referências em múltiplos acervos, a partir de um único banco de dados, é extremamente útil na hora de iniciar uma pesquisa para uma monografia ou uma dissertação. O coordenador do Per­gamum explica que pretende ampliar um pouco mais as possibilidades de pesquisa. “Estamos trabalhando para abrir a pesquisa por áreas do conhecimento. É um dado que nós já temos, e que agora vamos abrir para consulta, para abrir o leque de possibilidades para quem utiliza”, diz.

Fonte: IACOMINI, Franco. Uma super biblioteca, com 10 milhões de volumes. Gazeta do povo, Londrina-PR, 24 ago. 2009. Disponível em: <http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/tecnologia/conteudo.phtml?id=917536>.