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A palavra preservação sempre representou um problema para as bibliotecas. Elas sempre estiveram preocupadas com a preservação de documentos, nem que para isso fosse necessário acorrentá-los às estantes ou restringir o seu uso, chegando até a proibí-lo, como acontecia na Idade Média. Claro que aquilo não se dava somente por questões de preservação, mas sim do próprio acesso, que era controlado pela igreja, que a tudo dominava. Depois as bibliotecas passaram a lidar, também, com a disseminação do conhecimento: os materias informacionais não eram somente para serem guardados, mas sim para serem usados (alguém lembrou do Ranganathan? Pois é, essa é a sua primeira lei). Preservar mídias analógicas e disponibilizá-las para uso sempre foi um paradoxo para as bibliotecas, pois o uso contínuo dessas mídias as deteriora. Hoje, grande parte das obras já nascem digitais e as bibliotecas estão novamente envolvidas em um impasse: a quem cabe preservar as informações digitais? As bibliotecas disponibilizam acesso a muitos documentos aos quais só conseguem direitos de uso e não de posse, através de assinaturas ou convênios. Há muitos fatores que devem ser abservados quanto a preservação digital, além da questão dos direitos autorais: são problemas de ordem administrativa, econômica, tecnológica, etc. Alguns dos principais questionamentos são: o que deve ser preservado, diante da enorme quantidade de conteúdo disposto na web? durante quanto tempo? a quem deve ser atribuída essa obrigação? em que tipo de mídia? em que formatos?
A rápida obsolescência das mídias e a constante mudança de formatos (incluindo softwares e hardwares) pode inviabilizar qualquer tipo de ação no sentido da preservação digital. O que se armazema hoje poderá ser lido/acessado amanhã? Quem garante que haverá hardware que possa ler o suporte em que salvei o documento? Quem pode assegurar que daqui a algumas décadas haverá um programa compatível para abrir o arquivo no formato em que o salvei?
A preocupação com o armazenamento de informações a longo prazo não deve ser só dos bibliotecários. Todos (empresas, instituições, governos, nações) na sociedade temos uma memória documental a preservar e transmitir para as gerações futuras. A questão da preservação dessa memória deve ser alvo de preocupação e de ações conjuntas de todas essas esferas para que se possa chegar a uma solução rápida e eficaz.