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Uma prática comum nos cursos superiores das áreas de humanas (pelo menos) é a adoção de seminários em vez de provas escritas como forma de avaliação dos estudantes. Não me proponho aqui a apontar possíveis vantagens ou desvantagens desse ou daquele método, mas a discutir alguns pontos sobre os seminários que poderão ajudar a quem não se considera seguro para encarar uma plateia. Seja um simples seminário para obter uma nota numa disciplina de graduação ou uma defesa de dissertação ou tese, o simples fato de se colocar em público causa embaraço a muita gente. Muitas vezes, as pessoas conhecem o tema, estudaram e sabem realmente o conteúdo, mas quando estão diante de uma plateia se intimidam e tendem a ficar nervosas. Naturalmente, como toda comunicação oral, o seminário, deve levar em conta, além da linguagem falada (que se utiliza da entonação e ritmo), alguns aspectos físicos (dos apresentadores/falantes e do lugar) além do conteúdo que está sendo tratado. São eles:

• Qualidade da voz, melodia, elocução (seleção e disposição das palavras e frases) e pausas, respiração, risos e suspiros;
• Atitudes corporais, movimentos, gestos, trocas de olhares, mímicas faciais;
• Ocupação dos lugares, espaço pessoal, distâncias, contato físico;
• Roupas, penteados, óculos, limpeza;
• Iluminação, disposição das cadeiras, ordem, ventilação, decoração.

Ao apresentar um seminário, o expositor deve ter em mente que seu papel deve ser transmitir um conteúdo, informar, esclarecer, modificar o conhecimento dos ouvintes. Para atingir este objetivo, o expositor deve levar em conta aquilo que seus ouvintes já sabem sobre o tema; deve, ao longo de sua exposição, avaliar a dificuldade daquilo que está ensinando e, se necessário, dizer de outra maneira, reformular, dar exemplos. O expositor deve, também, promover e manter uma interação com os ouvintes, de forma a tê-los atentos durante toda a sua apresentação. Uma forma de se conseguir isso é fazer perguntas a fim de estimular a atenção dos ouvintes e de verificar se seus objetivos estão sendo atingidos, ou seja, se todo mundo está entendendo sua exposição.
É recomendável que o tema seja inserido de forma progressiva, que o expositor se aprofunde na discussão gradativamente, de modo a não comprometer a compreensão do que ele tem a dizer. Assim, um seminário pode ser dividido em partes para um melhor entendimento dos objetivos de cada uma de suas fases, desde a introdução até o fechamento. A seguir, a seqüência das FASES DE UM SEMINÁRIO:

1. ABERTURA
Um expositor (pode ou não fazer parte do grupo) dirige-se ao auditório, saúda-o e apresenta os expositores ou a si próprio se o expositor for ele mesmo.
Exemplos: a) “Bom dia, pessoal! Gostaria de apresentar a vocês os componentes do meu grupo: Fulano, Ciclano, Beltrano ...” b) “Atenção, turma! Vamos chamar à frente da classe o grupo Tal que vai falar a vocês sobre um tema muito interessante, a ser apresentado em forma de seminário...”

2. INTRODUÇÃO AO TEMA E APRESENTAÇÃO DO PLANO DA EXPOSIÇÃO
Etapa de apresentação, delimitação do assunto. Dá ao orador a oportunidade de explicar as razões de suas escolhas. Esta fase deve mobilizar a atenção e a curiosidade dos ouvintes e, para isso, o expositor deve utilizar uma foto ou ilustração relacionada ao tema, colocar uma questão-isca que desperte a curiosidade, contar uma anedota, fazer perguntas, etc. Deve esclarecer, ao mesmo tempo, sobre o produto (o texto planejado) e sobre o procedimento (a forma, a seqüência da exposição).
Exemplos: a) “Esse seminário abordará tal assunto... Falaremos, primeiramente sobre... Depois, daremos alguns exemplos, para, em seguida, abordarmos os seguintes aspectos...”
b) ”Vamos tentar explicar a vocês a importância da ... Iniciaremos com uma descrição geral sobre... Em segundo lugar, vamos nos ater especialmente a... Depois, faremos também um detalhamento... E, ainda, veremos... Por fim, iremos...”

3. DESENVOLVIMENTO DO ASSUNTO
É o encadeamento dos diferentes temas (e subtemas) e a quantidade deles deve corresponder ao número anunciado no plano. Faz- se necessário ressaltar que esta fase é a mais importante do seminário e, para que as idéias sejam assimiladas pelos ouvintes, é necessário que elas sejam expostas numa progressão coerente.
Exemplos: a) “A questão que abordaremos agora é... Isso nos leva à seguinte reflexão:... Então, chegamos agora a um ponto muito importante...” b) Devemos notar, sobretudo, esses dois aspectos... Em outras palavras, podemos chamar de... E, agora, exemplificando...”

4. RECAPITULAÇÃO E SÍNTESE
É a retomada dos pontos principais da exposição e também a fase de transição entre ela e a conclusão que virá a seguir.
Exemplos: a) “Então, para terminar, vamos fazer uma síntese de tudo o que vimos até aqui...” b) “Em resumo, podemos dizer...”

5. CONCLUSÃO
É a transmissão da mensagem final, mas pode ser também, a proposta de um problema novo aos ouvintes, ou o início de um debate, uma roda de conversa, a execução de algum exercício ou atividade de verificação, uma dinâmica, etc.
Exemplos: a) “Agora, finalizando nosso seminário, vamos colocar a seguinte questão...” b) “Para concluir, queremos deixar a seguinte mensagem...”

6. ENCERRAMENTO
Nesta fase, cabem os agradecimentos ao auditório.
Exemplos: a) “Gostaríamos de agradecer a atenção de todos os presentes...” b) “Esperamos que, de alguma forma, tenhamos contribuído para ampliar o conhecimento de vocês sobre...”


Em resumo, apresentações orais em geral envolvem as etapas abaixo discriminadas, dentre outras:
- explorar textos e/ou documentos diversos a fim de coletar informações sobre o tema a ser exposto;
- ordenar os temas, subtemas e/ou tópicos, intercalando-os com exemplos, ao elaborar o plano de exposição;
- preparar anotações/esquema, transparências, mapas, gráficos, tabelas... para servirem de suporte durante a exposição;
- antecipar as dificuldades de compreensão dos ouvintes reformulando ou substituindo as palavras difíceis;
- coordenar a distribuição da palavra entre os elementos do grupo;
- treinar para a exposição, tomando consciência da importância da voz, do olhar, da atitude corporal.

Veja nesta postagem anterior o que fazer para não errar na sua apresentação de slides: http://hamiltont.blogspot.com/2009/01/apresentao-do-powerpoint-o-que-fazer.html
Conteúdo baseado no texto da professora Sueli em: http://professorasueli-historia.blogspot.com/2008/05/como-apresentar-seminrio.html