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Por Wagner Brenner.

Não lembro onde eu li, mas alguém, em algum lugar, contava que a maioria dos livros que estão circulando pelas escolas do mundo estão ultrapassados. Ultrapassados não apenas no sentido de desatualizados, mas errados mesmo. São verdades absolutas da física, química, biologia que, huh… deixaram de ser absolutas. Realmente a missão é cruel, não tem como um livro impresso, confortavelmente instalado na grade escolar, turma após turma há tantos anos, se manter atual. E isso sem falar nos professores que também precisariam passar por Update or Die.

Pois parece que em alguns lugares começam a surgir novas idéias. Como essa, da The Cushing Academy, de Boston. Eles doaram seu acervo de 20 mil livros, mudaram o nome de “biblioteca” para “learning Center” e compraram 18 Kindle, da Amazon, 3 TVs de tela plana para exibir dados da internet e uma máquina de Cappuccino nova para o Coffee Shop, que ocupa o lugar onde ficava a tiazinha (não se preocupe, ela ainda deve estar por lá, o mundo digital precisa muito de bibliotecários pela habilidade de indexação). Claro que a mudança gerou polêmica. Uma das principais críticas é o fim dos passeios aleatórios por entre as estantes e as descobertas feitas ao acaso (serendipidade). E também o skimming (aquela escaneada que a gente dá com os olhos ao invés de ler). Pontos válidos. Mas entre os alunos a receptividade foi boa. E os números parecem apoiar a decisão: dos últimos 48 livros retirados na época da biblioteca, 30 eram infantis.

Em tempo: não, a escola não é dessas moderninhas que aparecem a cada ano por aí. Ela tem 144 anos de existência. E em Boston. Tradicional, mas não tá dormindo no ponto.