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Para quem já se sentiu caluniado (o quem nunca sentiu isso?) a tal ponto de preferir ficar calado a dizer qualquer coisa, tamanha a inverdade proferida a seu respeito ou contra você!  Apeles pintou uma cena que nos faz pensar nessa coisa tão revoltalte e aviltante: a calúnia.

Para entender a alegoria, observe:
à direita do espectador, o rei, o juiz mau está acompanhado pela Ignorância e pela Suspeita, suas conselheiras. Estas murmuram-lhe constantemente ao ouvido (ao pé de suas orelhas de burro) palavras venenosas... De olhos virados para o chão, ele nem vê o que se passa.
Uma figura masculina com roupas de monge, representando a Inveja, vem perante ele de modo acusador, estendendo um braço muito comprido para o alcançar. Traz uma jovem moça (a Calúnia) pela mão.

A Calúnia tem uma tocha acesa na mão como se viesse mostrar a luz. A Malícia e a Fraude são as suas companheiras e não param de a adornar com flores, os atributos da pureza, que entrançam nos cabelos da sua senhora, procurando disfarçá-la.

Apeles vem na figura de um homem inocente arrastado pela Calúnia que o agarra pelos cabelos, acusadora. Ele está despido e de mãos juntas, apelando a uma justiça divina, superior àquela terrível fantochada.

Atrás deles, a horrível figura do Remorso,
vestida de negro com roupa pesada e andrajosa, olha sorrateiramente, por cima do ombro, para a Verdade.
Todos os outros ocultam a sua verdadeira natureza com muita roupa, alguns até evocando a pureza. Mas a Verdade aparece nua e linda, sem nada para esconder, apontando para cima, remetendo o inocente à justiça divina.

Quem já foi caluniado assim, não o esquece jamais. O que mais me impressiona é a figura negra e trevosa  do Remorso...


Fontes:
http://anoeee.blogspot.com/2006/02/botticelli-e-calnia-de-apeles.html
http://pt.wikilingue.com/es/Calunia_de_Apeles