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"Eletrônicos duram 10 anos; livros, 5 séculos" diz Umberto Eco.
Especula-se muito em relação ao fim do livro tradicional. Umberto Eco e Jean-Claude Carrière põem mais lenha na fogueira com "Não Contem com o fim do livro". O momento é de renovação? Os livros estariam com os dias contados? Estaríamos nós em plena transição entre o livro impresso e o digital? E os e-readers seriam os apocalípticos algozes das publicações em celulose? Ou a movimentação em torno desse tema nada mais é que a revista de um texto batido e rebatido na década de 50, quando a televisão prometia aniquilar a história do cinema pela raiz? E quem ainda utiliza, ou lembra, LPs, máquinas de datilografia, mimeógrafos, fichas de telefone público, rádio amador, só para citar algumas pérolas que caíram em desuso total nos últimos 20 anos? Mas o fato é que o assunto está em pauta no mundo inteiro. Tanto que o ensaísta italiano Umberto Eco e o escritor francês Jean-Claude Carrière lançam, em meados de maio, a série de ensaios: "Não contem com o fim do livro" (Editora Record, tradução André Telles, 272 p. R$ 39,00) que, como o próprio nome sugere, propõe o debate em torno da natureza dessas transformações. Fonte: Natercia Rocha.
Veja entravista com Umberto Eco onde ele fala de Não contem com o fim do livro em Manuscritos Digitais.

Apesar do livro eletrônico ainda não estar disponível no mercado cearense, há muita expectativa se a novidade dará às editoras o mesmo destino que têm tido as gravadoras após o advento da música on-line. Para completar, o historiador americano Robert Darnton, entusiasta da criação de uma Biblioteca Digital Nacional, e convidado para Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que acontecerá de 4 a 8 de agosto, no Rio de Janeiro, vem discutir no Brasil o embate jurídico que está sendo travado pelo Google para conseguir reunir o maior acervo digital de obras de referência da história. Enquanto isso, por aqui no Ceará, o assunto a respeito da relevância da digitalização de livros no ciberespaço também aquece o mercado das especulações. O professor Sânzio de Azevedo, doutor em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que não se considera um bibliófilo, mas assume ser detentor de muitas edições raras, garante que não tem a menor resistência em adaptar-se à mudanças, "já que são inevitáveis mesmo". Mas faz graça quando o assunto é o fim dos livros como hoje conhecemos. "Em 1959, quando fui embora para São Paulo, vi, pela primeira vez, uma televisão. Acho que no Ceará ainda não existia. Todo mundo dizia que ia acabar rádio e cinema. E cadê? Acabou nada! O Mindlin (bibliófilo José Mindlin, falecido em fevereiro deste ano), em uma de suas últimas entrevistas, falou do prazer em folhear páginas amareladas, com o cheiro característico e a comodidade da leitura. Uma coisa nunca eliminará outra. Podem sossegar", garante o professor. Na visão do escritor Raymundo Netto, o assunto é complexo, por isso gera tanta polêmica. Mas, para ele, não existe remota possibilidade do livro digital suplantar o impresso. "O livro está criado e pronto. Isso é ressentimento de escritor não publicado. O que existe atrás dessa polêmica, na verdade, não é a luta por formar leitores, mas a guerra por angariar consumidores", ressalta o coordenador editorial da Coordenadoria de Políticas do Livro e Acervos da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará (Secult). Mas o fato é que, para além de todo charme e romantismo apregoados pelos amantes dos livros, estamos diante de um impasse: haverá limites para as consequências provocadas pela avidez das novas mídias? Ou será modismo imaginar que leitores nascidos nessa primeira década de século 21, optarão por livros em arquivos digitais? Segundo o Presidente da Associação Brasileira de Bibliófilos, José Augusto Bezerra, que tem mais de 27 mil obras raras em acervo particular, os e-books chegam como mais uma forma de obtenção de saber e cultura. "O livro, como guardião do conhecimento, já foi em pedra, argila, papiro, pergaminho e, hoje, em celulose. Se estamos entrando numa nova fase, ele continuará sendo formador cultural. O formato é só um detalhe, é secundário", contemporiza o pesquisador. E será que qualquer um de nós poderá ser publicado em uma loja de livros eletrônicos, sem custos de impressão, peso extra ou traças? Para o jornalista Luís-Sérgio Santos, os livros eletrônicos, apesar de oferecerem a possibilidade de serem popularizados com maior facilidade, não substituirão os formatos atuais. "As vendas de livros têm aumentado. Na prática, acredito que a tendência é ampliar os meios de distribuição. A tecnologia não oferece relação tátil, mas permite vantagens indispensáveis, como a praticidade, por exemplo", lembra o professor de Universidade Federal do Ceará. Ao que parece, tanto no mundo real quanto no virtual, o assunto renderá muitas páginas de discussões. Enquanto isso, e a despeito da velocidade da indústria eletrônica prenunciar mudanças em curtíssimo espaço de tempo, os belíssimos exemplares em capa dura, que embelezam e ocupam espaços consideráveis em nossas salas, estão garantidos para posteridade. Será mesmo? Fonte: Marília Camelo.