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Será que sabemos, de fato, a diferença entre mestrado acadêmico e mestrado profissional? Sobre o acadêmico já conhecemos bastante, mas e sobre essa modalidade que surgiu depois? Vamos, então, às definições:
 
Mestrado Profissionalizante
Curso menos teórico que o acadêmico e voltado para o mercado de trabalho.  "O trabalho de conclusão final do curso poderá ser apresentado em diferentes formatos, tais como dissertação, revisão sistemática e aprofundada da literatura, artigo, patente, registros de propriedade intelectual, projetos técnicos, publicações tecnológicas; desenvolvimento de aplicativos, de materiais didáticos e instrucionais e de produtos, processos e técnicas; produção de programas de mídia, editoria, composições, concertos, relatórios finais de pesquisa, softwares, estudos de caso, relatório técnico com regras de sigilo, manual de operação técnica, protocolo experimental ou de aplicação em serviços, proposta de intervenção em procedimentos clínicos ou de serviço pertinente, projeto de aplicação ou adequação tecnológica, protótipos para desenvolvimento ou produção de instrumentos, equipamentos e kits, projetos de inovação tecnológica, produção artística; sem prejuízo de outros formatos, de acordo com a natureza da área e a finalidade do curso, desde que previamente propostos e aprovados pela Capes". "O corpo docente do curso deve ser altamente qualificado, conforme demonstrado pela produção intelectual constituída por publicações específicas, produção artística ou produção técnicocientífica, ou ainda por reconhecida experiência profissional, conforme o caso." A PORTARIA NORMATIVA N 7, DE 22 DE JUNHO DE 2009 tem como objetivo regulamentar o mestrado profissional, modalidade esta que estava sem regulamentação no país.
 
Mestrado Acadêmico
Pós-graduação voltada para o ensino e a pesquisa. Oferece o título de mestre em determinado campo do saber, portanto é um curso direcionado para quem deseja lecionar. São cursos que exigem proficiência em outra língua, além do português, usualmente o inglês. Para obtenção do título é necessária a preparação de dissertação.

O artigo abaixo é de Celso da Costa Frauches, consultor do ILAPE (Instituto Latino-Americano de Planejamento Educacional - Brasília/DF).  Artigo originalmente publicado no site do ILAPE
 
 A universidade brasileira acomodou-se, até recentemente, a oferecer cursos de pós-graduação, em níveis de mestrado e doutorado, exclusivamente para o meio acadêmico, com o objetivo de capacitar profissionais para o exercício do magistério superior e para a pesquisa. Os diplomas desses programas acadêmicos, para terem validade nacional e serem reconhecidos por qualquer instituição de ensino, pública ou privada, necessitam ser reconhecidos pelo MEC, em processo que está regulamentado e conta com a participação ativa da Fundação Capes e da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, do MEC. Os cursos são reconhecidos por cinco anos e, para continuidade de sua validação, devem ter o seu reconhecimento renovado, a cada cinco anos.

Na Infoera - a Era da Informação - e com os efeitos da globalização da economia, o Brasil passou a conviver, mais intensamente, com a oferta de programas de mestrado profissional - mais conhecidos como MBAs -, oriundos de universidades estrangeiras ou de empresas de consultoria e auditoria, que não integram o universo das instituições de ensino superior. Esses programas dispensam a validação, pelo MEC, de seus certificados ou diplomas, pois o mercado de trabalho não está sujeito às mesmas regras do mundo acadêmico.

Com a aceitação, imediata, pelo mercado de trabalho, dos mestrados profissionais, com ênfase para os da área de gestão, ofertados por universidades estrangeiras e consultorias e universidades corporativas brasileiras, esses cursos passaram a atrair, também, o interesse de professores universitários e de outros profissionais da educação. Tais profissionais, contudo, pretendem que os diplomas dos MBAs sejam reconhecidos, pelo MEC, para que tenham validade, perante os sistemas de ensino (federal, estaduais e municipais), a fim de que possam ser aproveitados em processos de progressão funcional ou em concursos públicos, em que se exija o título de mestre.

Os diplomas de mestrados profissionais não conferem nenhum privilégio para o exercício de qualquer profissão ou atividade, por não estarem sujeitos a reconhecimento oficial ou registro, mas agregam competências e habilidades indispensáveis ao exercício das funções deles decorrentes. Neste caso, o mais importante não é o canudo (o diploma), mas os conteúdos aprendidos e assimilados. O diploma não assegura competência; ele certifica os estudos realizados, apenas. Ele não capacita o diplomado ao exercício das funções para as quais está direcionado; o que capacita é a aprendizagem. Já os diplomas de mestrados acadêmicos, dirigidos exclusivamente para o exercício da docência, no ensino superior, mesmo com o reconhecimento oficial, não têm a mesma validade para o mercado de trabalho, pois os seus objetivos não são adequados ao meio empresarial.

Quem busca o desenvolvimento de competências e habilidades, para a melhoria de seu desempenho profissional, não está preocupado com o reconhecimento oficial do diploma do curso realizado, uma vez que o mercado não faz essa exigência, não sinaliza para esse aspecto burocrático, somente compreensível no meio acadêmico e nos setores da administração pública. Os clientes dos mestrados profissionais (MBAs) são pessoas que desejam crescer pessoal e profissionalmente, agregando valores ao seu conhecimento, para obterem sucesso num mercado de trabalho em constante mudança e cada vez mais competitivo. Para esses, "o diploma não vale nada; o que vale é o aprendizado".